3 de nov de 2010

REGULAMENTO DA COMPETIÇÃO DE SHUAIJIAO

REGULAMENTO DE COMPETIÇÃO DE SHUAIJIAO

“A SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR”

DOS ELEGÍVEIS A PARTICIPAR DESTA COMPETIÇÃO

Artigo 1º. Está competição é restrita a atletas vinculados a professores de Shuai Jiao graduados pela Confederação Brasileira de Kung Fu Wu Shu, salva a exceção a atletas convidados.

DAS CATEGORIAS DE PESO

Artigo 2º. As competições de Shuaijiao serão realizadas segundo as seguintes Divisões de Categorias por Peso:

CATEGORIA ADULTO

a) Masculino

b) Feminino

1. Até 48kg

2. Até 52 kg

3. Até 57 kg

4. Até 62 kg

5. Até 68 kg

6. Até 74 kg

7. Até 82 kg

8. Até 90 kg

9. Até 100 kg

10. Acima de 100 kg

1. Até 44 kg

2. Até 47 kg

3. Até 50 kg

4. Até 54 kg

5. Até 58 kg

6. Até 63 kg

7. Até 68 kg

8. Até 74 kg

9. Até 82 kg

10. Acima de 82 kg

CATEGORIA JUVENIL DE 16 A 17 ANOS

a) Masculino

b) Feminino

1. Até 46 kg

2. Até 49 kg

3. Até 52 kg

4. Até 56 kg

5. Até 61 kg

6. Até 66 kg

7. Até 72 kg

8. Até 80 kg

9. Até 90 kg

10. Acima de 90 kg

  1. Até 42 kg
  2. Até 45 kg
  3. Até 48 kg
  4. Até 52 kg
  5. Até 57 kg
  6. Até 62 kg
  7. Até 68 kg
  8. Até 76 kg
  9. Até 86 kg
  10. Acima de 86 kg

DA DURAÇÃO DA COMPETIÇÃO

Artigo 3º. Haverão dois assaltos por luta, cada um com 3 minutos. Um intervalo de 1 minuto é colocado entre os assaltos, excluído o tempo de pausa. O assalto começa com um sinal do árbitro e termina com um apito do cronometrista.

DOS EQUIPAMENTOS DE COMPETIÇÃO

Artigo 4º - Os competidores devem usar coletes tradicionais de Shuaijiao (Dalian) em tecido natural nas cores Branco, Bege, Vermelho ou Azul com cortes no padrão chinês*. As calças compridas deverão ser na cor preta em tecido de algodão ou brim. Tênis de solado macio sem partes rígidas. Sapatilhas de Wrestling (luta olímpica) também serão aceitas. Faixas azuis e vermelhas para diferenciação dos lados dos competidores. Os homens não poderão usar camisa, camiseta ou qualquer outro tipo de vestimenta por baixo do colete. As mulheres poderão usar um Top ou camiseta justa por baixo do colete.

Obs. Quimonos de judô, jujitsu, karatê ou outras lutas, visivelmente adaptados para o Shuaijiao não serão permitidos. Apenas coletes (Dalian), com tecido, medidas e corte dentro dos padrões chineses, próprios para o Shuaijiao poderão ser utilizados. É permitido o uso de estabilizadores articulares de neoprene nos joelhos, tornozelos cotovelos e ombros.

* Cortes no padrão chinês serão conforme o seguinte molde: o comprimento da manga no meio do braço (entre tríceps e deltóide) com largura de 04 dedos a mais que a circunferência do braço, e comprimento da bainha medindo um palmo abaixo da cintura.

DA PONTUAÇÃO

Artigo 5º - Os pontos são concedidos com base na qualidade da execução das técnicas e quedas de Shuaijiao. Há quatro pontuações possíveis (01 ponto, 02 pontos, 03 pontos ou nenhum ponto), os quais serão conferidos da seguinte forma:

a) 03 pontos:

· Um competidor consegue fazer com que ambos os pés de seu oponente saiam do chão, arremessando-o por cima de seu ombro, levando o corpo do mesmo a tocar o chão, enquanto o competidor permanece de pé. O competidor recebe os 03 pontos ainda que seu oponente o puxe para baixo durante a queda.

b) 02 pontos:

· Um competidor joga seu oponente, fazendo com que o corpo deste toque o chão, sem arremessá-lo por cima de seu ombro, mas o competidor permanece de pé.

· O competidor joga seu oponente, fazendo com que o corpo deste toque o chão, arremessando-o por cima de seu ombro; o competidor ainda permanece de pé, mas mantém uma das mãos no corpo do oponente, para apoio.

· Um competidor ajoelha-se para jogar seu oponente por cima dos ombros, fazendo com que o corpo deste toque o chão. O atacante está ajoelhado, sem tocar o chão com as mãos, a parte superior de seu corpo não caiu sobre o oponente, e o atacante permanece equilibrado.

· O oponente comete uma falta pessoal e recebe um cartão vermelho.

c) 01 ponto:

· A queda faz com que a mão, o ombro ou o joelho do oponente toque o chão.

· A queda faz com que o oponente caia no chão, seguido pelo atacante e este permanece em cima do oponente.

· Ambos os competidores caem no chão simultaneamente, aquele que estiver por cima recebe 01 ponto.

· O competidor ajoelha-se para jogar seu oponente, fazendo com que este caia, mas o atacante perde o equilíbrio.

· Em caso de quedas de sacrifício, onde o competidor toca o chão propositalmente com qualquer parte do corpo, excetuando-se os pés, para arremessar seu oponente, sendo a mesma válida caso haja fluência do ataque.

· O oponente comete uma falta técnica e recebe um cartão amarelo.

d) Nenhum ponto concedido a qualquer dos lados:

· Nenhum ponto é concedido se ambos os lados caem no chão, mas os juízes são incapazes de determinar quem caiu primeiro ou quem está por cima.

DOS ATAQUES EFICAZES E INEFICAZES

Artigo 6º. Os ataques serão considerados eficazes e ineficazes segundo os seguintes critérios:

a) Válidos:

· Quando o movimento executado dentro da área de competição faz com que o oponente caia no chão, dentro da área de segurança.

· Quando o atacante pisa na área de segurança após jogar o oponente dentro da área de competição.

· Quando o atacante pisa na área de segurança enquanto seu oponente é derrubado na área de competição.

· Quando a técnica é iniciada antes de soar o sinal de fim do round.

b) Não Válidos:

· Quando o atacante pisa na área de segurança para executar uma técnica que projete o oponente ao chão.

· Quando a queda do oponente se deve ao atacante pisar em seu pé ou agarrar suas calças.

· Qualquer ataque adicional depois de o árbitro ter mandado parar.

DAS VIOLAÇÕES

Artigo 7º. Quando um competidor utilizar movimentos não autorizados pelas regras, o árbitro determinará uma penalidade, de acordo com a gravidade da violação. Violações são divididas em duas categorias: pessoais e técnicas, segundo os seguintes critérios:

a) Violação Pessoal:

o O emprego de quebramento/chave de articulação, na direção contrária ao movimento natural da articulação, para, intencionalmente, machucar o oponente.

o O emprego de mão, ombro, cotovelo, pé, joelho ou cabeça para atingir o oponente, ou agarrar a virilha.

o A utilização do pé para chutar o oponente.

o Usar a perna para chutar ou varrer o oponente acima do meio da metade inferior da perna (panturrilha).

o Empurrar ou pressionar a cabeça, o rosto ou a garganta do oponente; ou agarrar o cabelo do oponente.

o O uso das duas mãos simultaneamente para segurar ou aplicar uma chave na cabeça ou no pescoço do oponente.

o Intencionalmente cair em cima do oponente após uma queda.

o Fazer com que a cabeça do oponente caia diretamente no chão, com intenção de machucá-lo, depois de levantar o oponente e de ele ter perdido o controle.

b) Violação Técnica:

o Atacar o oponente antes da ordem de início ou depois da ordem de fim, dadas pelo árbitro.

o O treinador ou o assistente do competidor interferir na competição ou comandar o competidor dentro da área de competição.

o O competidor pára durante a luta.

o O competidor pede tempo por causa de uma posição desvantajosa.

o Agarrar as calças do oponente.

o Falta de combatividade.

o Atleta se apresenta para o combate com Dalian sujo e malcheiroso, ou em condições inadequadas para a competição, considerando para isso estar fora do padrão.

DAS PENALIDADES

Artigo 7º. Dependendo da gravidade da violação, um competidor pode receber uma repreensão, uma advertência ou ser desqualificado da luta ou de toda a competição.

§ 1º. Durante a luta, se uma violação ocorre e resulta em uma posição vantajosa para aquele que a cometeu, a luta será interrompida imediatamente, e as penalidades determinadas de acordo.

§ 2º. Se a violação resulta em desvantagem para aquele que a cometeu, a luta irá continuar até que a manobra esteja completa, com as penalidades determinadas depois.

§ 3º. Se as duas situações acima ocorrerem, aquele que cometeu a violação não receberá pontos se for bem-sucedido em jogar seu oponente, mas o oponente receberá pontos se for bem-sucedido em jogar aquele que cometeu a violação.

§ 4º. Para uma violação pessoal é dado um cartão vermelho para o infrator.

§ 5º. Para uma violação técnica é dado um cartão amarelo para o infrator.

§ 6º. O competidor que receber três cartões amarelos receberá um cartão vermelho;

§ 7º. O competidor que receber três cartões vermelhos será desqualificado do combate;

§ 8º. O competidor que ferir intencionalmente seu oponente será desqualificado da competição e seus resultados serão cancelados.

DO VENCEDOR DO COMBATE

Artigo 8º. É considerado vencedor do combate o atleta que:

a) Alcançar o maior número de pontos acumulados ao final da luta;

b) Alcançar a diferença de 10 pontos acima dos pontos do oponente. A luta é interrompida por disparidade técnica em qualquer momento que se alcance essa diferença de pontos;

c) O oponente desiste do combate;

d) O oponente não tem condições de continuar o combate por decisão do árbitro ou da equipe médica;

e) Após o empate por pontos passa pelos critérios de desempate sendo beneficiado por estes. São os seguintes critérios de desempate que definem o vencedor:

a. Cartão vermelho – Aquele atleta que tem menos cartões.

b. Cartão amarelo - Aquele atleta que tem menos cartões.

c. Peso – Aquele que tem o menor peso.

d. Idade – Aquele que tem a menor idade.

e. Se após estes ainda persistir o empate utiliza-se um round adicional com o golden point.

DO JULGAMENTO

Artigo 9º. Para o julgamento das competições haverá 01 (um) árbitro central. O árbitro central interromperá a luta após cada queda bem-sucedida e dará a pontuação adequada indicando com gestos específicos dos pontos válidos, em caso de dúvida consultará o chefe de arbitragem.

DOS GESTOS DOS ÁRBITROS

Artigo 10º. Durante as competições o Árbitro poderá fazer gestos com os seguintes significados:

a) Duas mãos separadas indicam “Preparar”.

b) Duas mãos cruzando na frente do corpo indicam “Começar”.

c) Mão direita estendida para frente, apontando para o competidor, indica “Parar”.

d) Para dar 01 ponto: Estender o braço com a palma da mão aberta para o lado do lutador, em seguida estender o braço na direção da mesa e estender apenas o dedo indicador para cima.

e) Para dar 02 pontos: Estender o braço com a palma da mão aberta para o lado do lutador, em seguida flexionar o braço ao lado do corpo e estender apenas os dedos indicador e médio para cima.

f) Para dar 03 pontos: Estender o braço com a palma da mão aberta para o lado do lutador, em seguida estender o braço para cima e estender apenas os dedos indicador, médio e polegar para cima.

g) Duas mãos cruzadas na frente do corpo, movendo-se abrindo e cruzando novamente indicam nenhum ponto concedido.

h) Dobrar o cotovelo com a mão aberta sinaliza “violação técnica”.

i) Dobrar o cotovelo com o punho fechado sinaliza “violação pessoal”.

j) O árbitro se situa entre os competidores e levanta a mão do vitorioso para indicar o fim da luta e o vencedor.

DAS PROIBIÇÕES

Artigo 11º. Os competidores ficam proibidos de portar quaisquer jóias ou objetos rígidos (ex.: relógios, braceletes, anéis, fivelas de cinto, piercing, etc.); ter as unhas das mãos compridas, assim com usar qualquer tipo de lubrificante, óleo, etc. em qualquer parte do corpo; É proibida a utilização de ataduras e talas; Munhequeiras e estabilizadores articulares de punho também são proibidos.

DISPOSIÇÕES FINAIS

Artigo 12º. Todos os competidores devem obedecer ao presente regulamento. Qualquer indivíduo que ferir intencionalmente seu oponente (pelo uso de técnicas ilegais) irá enfrentar automática desqualificação das competições, sem prejuízo de qualquer outra punição de caráter cível ou penal.

Treinamento na China.

Após quatro anos de implantação na Confederação Brasileira de Kungfu Wushu (CBKW) o Shuaijiao se desenvolveu notoriamente no Brasil. Esse desenvolvimento pode ser medido em termos numéricos, com base na quantidade de participantes nas competições nacionais. No Em 2006 no campeonato brasileiro de em Minas Gerais, primeiro ano da participação da modalidade, tivemos 17 atletas de três estados; no ano seguinte no Ceará foram 30 atletas participantes de cinco estados e esse ano tivemos 31 inscritos de seis estados participantes. Esses números somados aos de formação de professores (8 em São Paulo em 2005 e 9 em Minas Gerais em 2006) e ao de cursos realizados nos estados (São Paulo, Minas Gerais e Ceará), mostram um crescimento nacional significativo da modalidade, tanto em número de participantes como de interessados.

Entretanto esse crescimento ainda é insuficiente quando comparado ao desempenho observado em outras modalidades de competição desenvolvidas pela CBKW nos últimos anos, que ganharam notoriedade internacional através do trabalho sério de seus diretores, capitaneados pela administração do Mestre Nereu Graballos a frente da presidência. O resultado deste trabalho coloca o wushu do Brasil atualmente como um dos melhores do mundo, respeitado unanimemente. Nessa perspectiva o Shuaijiao necessitava de um passo a mais, que deveria possibilitar a participação de atletas brasileiros em competições internacionais. Para isso o desenvolvimento do nível técnico, a exemplo do que fizeram os demais departamentos de wushu da CBKW, era imprescindível. Nesse sentido a especialização e o intercâmbio técnicos necessários como primeiro movimento do departamento de Shuaijiao precisavam ser buscados na fonte.

No período de 11 a 29 de outubro de 2008, na cidade de Beijing, no complexo esportivo do distrito de Xuanwu, a CBKW deu um passo fundamental para o desenvolvimento do Shuaijiao em território nacional: A participação brasileira em treinamento de aprofundamento em Shuaijiao, conduzidos pelo Mestre Li Baoru (1), pelo Mestre Ma Jainguo (2) e pelo técnico Tian Jian (3). Novas técnicas e métodos de treinamento foram estudados e podem, agora, ser introduzidas no cotidiano dos professores que trabalham com essa modalidade, aprimorando o trabalho desses profissionais além de possibilitar o aumento do rendimento de seus atletas, dando destaque a essa modalidade em futuras competições, nacionais e internacionais.
Durante os treinamentos foram abordados fundamentos técnicos básicos e avançados, técnicas de projeções e suas variações, regras de competição, técnicas de treinamentos com equipamentos específicos e preparação física específica para a modalidade.

Foi possível, além da participação no treinamento, assistir a um campeonato local de luta que incluía Sanshou, MMA e Shuaijiao. Apesar de o campeonato ser de nível regional e para iniciantes, as técnicas já aplicadas eram bem definidas, demonstrando que os fundamentos da modalidade observada foram bem desenvolvidos e aplicados durante os treinamentos. Isso ressaltou a importância do treinamento dos fundamentos básicos para o desenvolvimento sustentável dos futuros atletas de alto rendimento em competições vindouras. Uma outra observação se faz pertinente nesse momento: o MMA desenvolvido por eles nesse campeonato fundamenta-se nas técnicas de Sanshou e Shuaijiao, incluindo suas técnicas de solo. Eles estão aprendendo essa nova dinâmica de lutar e em breve será observada a participação efetiva do Wushu em eventos profissionais internacionais de luta.

A organização do Shuaijiao na China ainda é um pouco difusa, pois a modalidade esta vinculada a Federação de Wrestling e não a Federação de Wushu, como deveria ser segundo opiniões de alguns especialistas com quem tivemos contato na China. A padronização das técnicas básicas e da graduação esta em processo de desenvolvimento, demonstrando a intenção de estruturação consistente da modalidade. Desta forma podemos acompanhar todo o processo de organização do Shuaijiao, utilizando como exemplo a experiência chinesa para nortear o trabalho desenvolvido no Brasil.

A participação do Brasil no treinamento de Shuaijiao em Beijing lançou bases para futuras incursões em território chinês, sejam para novos treinamentos e aprimoramentos, seja para futuras participações em campeonatos. O que é mais importante ressaltar é que as portas foram abertas, e isso se deu pela forma como os contatos preliminares foram conduzidos e pela conduta observada durante o desenrolar dos treinamentos. Obviamente este trabalho já é o padrão utilizado pelos diretores da CBKW em todos os eventos que participam. Apesar das dificuldades encontradas para viabilizar a participação do Brasil nesse evento, a orientação do Mestre Nereu e o suporte logístico e aconselhamentos do Mestre Kao foram fundamentais para que esta participação alcançasse o sucesso planejado e trouxesse os frutos desejados para o Brasil.

Parabéns para o Brasil, para a CBKW e para todos os seus filiados, o Shuaijiao deu mais um passo, agora cabe a todos o bom uso do que foi conquistado.

Marcelo Antunes
02 de novembro de 2008.

9 de abr de 2009

Primeiro Texto de divulgação do Shuaijiao no Brasil 2005

INTRODUÇÃO

A luta pela sobrevivência faz parte natureza humana, e o homem como animal racional desenvolveu técnicas altamente sofisticadas de combate para compensar diferenças natas como força e tamanho.
A história da arte marcial chinesa (Kung Fu) é muito antiga. Quando as técnicas com “mãos vazias” começaram a se desenvolver, elas primeiramente enfatizaram a luta com agarramento. Shuaijiao, o Wrestling Chinês, assim como outras lutas corpo-a-corpo, populares em outros países, desenvolveu-se a partir de táticas cruéis de luta até se transformar em uma forma muito avançada de arte marcial.
Shuaijiao é o estilo mais antigo Wushu (mais conhecido no ocidente como Kung Fu), podendo-se encontrar na história escrita da China registros da prática de suas técnicas mais primitivas há quase 5.000 anos atrás (aproximadamente 2.700 a.c.), nos tempos do Imperador Amarelo, Huan Ti.
O termo Shuaijiao significa: Shuai = derrubar e Jiao = chifres, ou seja, chifres que derrubam. A palavra “chifres” remonta a forma mais antiga de Shuaijiao registrada: o “Jiao Ti” , que se tratava de um combate sangrento, corpo-a-corpo, onde os lutadores utilizavam capacetes com chifres. Outro termo popular (na China) utilizado para se referir ao Shuai Jiao é “Kuai Jiao” que significa “derrubada rápida”.
Um velho dizer popular chinês diz: “Ataques com os punhos são superiores às técnicas de deslocamento; ataques de pés aos ataques de punhos, e técnicas de derrubar superiores aos ataques de pés”. Os combates são normalmente vencidos por quem arremessou o adversário ao solo do que por “Knock Out”. Vários mestres são unânimes em dizer que boas técnicas de derrubar (Shuai) representam 40% de um bom lutador, completado por 30%, respectivamente, de técnicas de chutes e socos.
O estudo de Shuaijiao pode com certeza contribuir numa maior compreensão de qualquer estilo praticado, assim como também contribuir muito para os que se interessam pela pratica desportiva de Sanshou e Sanda.

HISTÓRIA

Os relatos históricos nos contam que por volta do ano 2.700 a.c. duas tribos rivais se instalaram ao longo do Rio Amarelo. Uma das tribos era liderada pelo famoso Huan Ti, e a outra por Zhi You, cujos guerreiros utilizavam um capacete com dois chifres. Estes capacetes eram utilizados nas batalhas para ferir os inimigos. Huan Ti ensinou seus guerreiros a evitarem estes ataques perigosos e a desequilibrarem seus adversários. Assim, graças a esta técnica, Huan Ti venceu Zhi You e unificou o país; nascia então a China. Desde então, nas festas chinesas, costuma-se imitar os combates dos guerreiros. Alguns utilizam capacetes e fingem ferir seus adversários com os chifres, os outros, por sua vez, evitam os ataques tirando o equilíbrio do atacante. Esta dança tradicional era chamada Jiao Dixi. Nestas festas aconteceram as primeiras demonstrações da arte marcial “mãos vazias” na China.Na dinastia Zhou (aprox. 1.122 a.c.), as técnicas já eram utilizadas para os exercícios militares. Na dinastia Qin (aprox. 221 a.c.), estas práticas se tornaram um espetáculo e uma forma de entretenimento muito apreciado pela aristocracia. Desde esta dinastia, as competições se desenvolveram muito rapidamente. As regras eram muito fáceis, pois quase tudo era permitido. Embora a eficácia das técnicas com agarramento fossem claras, os lutadores não deixariam de lado a luta solta, treinando por vezes a luta com agarramento e em outras ocasiões a luta solta. Este tipo de prática é provavelmente a origem da separação em duas direções: a luta de agarramento e o pugilismo (Shuai/Chuan).As técnicas de agarramento sempre foram consideradas importantes, e por essa razão, os mestres de estilos tradicionais de Kung Fu estudaram profundamente estes tipos de técnicas e selecionaram as mais eficazes para serem inseridas em suas rotinas, e desta forma serem perpetuadas para as gerações futuras. Na dinastia Song (960-1278), um livro entitulado “Jiaoloi Ji”, apresentava uma parte dos estudos feitos por vários mestres juntamente com a história da arte marcial chinesa. Na dinastia Ming (1368-1644) e na dinastia Qing (1644-1911), os mestres continuaram a aperfeiçoar as técnicas. Na dinastia Qing, 300 mestres foram convidados pela corte imperial para formar uma equipe de lutadores. Este time foi chamado “Shang Pu Ying”. Os mestres lutavam entre si e enfrentavam outras equipes, incluindo os famosos lutadores da Mongólia. Nesta época a corte Qing proibiu ataques de pés e mãos em competições de Shuai Jiao. Contudo os mestres continuaram a treinar utilizando chutes e socos.O Shuai Jiao tornou-se um estilo muito rico, com uma estratégia muito elaborada, e os últimos estudos foram feitos após o término da dinastia Qing. Shuaijiao é o resultado de um trabalho árduo e detalhado que se perpetuou através de vários milênios. AS ARTES MARCIAIS DA ATUALIDADESendo tão antigo, o Shuaijiao é considerado o predecessor da maioria dos estilos de luta da atualidade. Os monges de Shao Lin através de seu estudo de Shuai Jiao incorporaram grande parte de suas técnicas em suas formas (rotinas) e desenvolveram um sistema de 18 projeções chamado Tsan I.O Shuaijiao foi levado a vários outros países durante a Dinastia Ming (1368 DC -1644 DC), e no Japão veio a influenciar os antigos estilos de Jiu-Jitsu dos quais evoluiu o Judo de Jigoro Kano. Na verdade isto está registrado em documentos Japoneses: em Collection of Ancestor’s Conversations, Volume 2, Biografia de Chen, Yuan-Yun, encontramos que Chen, Yuan-Yun (1587-1671 DC, Dinastia Ming) foi a pessoa que levou as “técnicas suaves” para o Japão em 1659.Em outros registros históricos o encontramos como Cheng, Yuan Ping (O homem da montanha de Chi Pai), onde até os dias de hoje, na base da montanha no Japão existe um monumento erguido em sua memória. Contam as tradições verbais que Cheng era um perito em Shuai Jiao e em Qin Na, que devido a perseguição política teve que fugir da China.




ESTILOS DE SHUAIJIAO

Existem vários estilos de Shuaijiao, mas os mais desenvolvidos são o Mongolian, o Tientsin, o Peking e o BaoDin (Pao Ting). O estilo Tientsin usa muito os braços soltos para testar o adversário e para sentir quando há uma chance de aplicar uma técnica. Os movimentos do estilo Peking são menores, enfatizando o contato e mantendo as mãos do adversário a uma distância. O uniforme no estilo Peking é bem justo o que torna mais difícil agarrá-lo. O estilo BaoDin é o mais famoso, e é distinguido por seus movimentos mais largos e por sua velocidade e força ao desenvolver suas técnicas. Em vez de testar o adversário no estilo BaoDin, tenta-se usar uma técnica eficaz. O estilo BaoDin é também conhecido como Kuai Jiao (luta rápida) ou Shuai Kuai (derruba rápido).O estilo ensinado na ACSCA (American Combat Shuaijiao Association) é o estilo BaoDin, porém diferente de algumas outras organizações, a ACSCA dá uma ênfase especial na aplicação do Shuaijiao para o combate real, por isso divulgamos nosso estilo como Combat Shuaijiao. O Combat Shuaijiao inclui chutes, socos, quedas e chaves. O objetivo de cada movimento é derrubar o adversário rapidamente utilizando vários meios como: nocautes, chaves e projeções. Contudo, damos uma maior ênfase no treinamento das projeções por serem mais difíceis de aprender porém mais fáceis de usar.